domingo, fevereiro 17, 2008

Bubbles,
oh gracious bubles,
so many bubbles,
So fragile and sensitve.
They're like me,
my own relief,
is that unlike the bubbles,
I don't explode and disappear,
When I touch your fingers,
So soft and gracious,
Like all the bubbles,
Like me...

sábado, fevereiro 16, 2008

Penso nos meus erros, nas asneiras que já fiz e tudo porquê? Digo que foi sem querer, que não tinha intenção mas por vezes minto a mim própria só para me fazer sentir melhor. Erro por não pensar e erro por o fazer. Erro por burrice e erro por teimosia. Gostava de conseguir ver a razão quando ela está à minha frente mas nunca consigo, nunca consigo identificar aquela pequena palavra que me escapa e depois me faz cometer erros parvos, erros que podiam ser evitados.
Gostava de às vezes não dar ouvidos às pessoas erradas, de não ligar a provocações, de ser menos criança ou, pelo menos, agir menos como uma. Quero o mundo, quero o universo mas esqueço-me que não sou a única que os quer. Depois erro, porque penso que estou a fazer o melhor para mim e para os outros mas, por vezes, não. É por isso que dou sempre uma 2º oportunidade às pessoas, para que elas me possam também retribuir com uma outra a mim, se eu errar. Por vezes quero tudo, quero o melhor, quero mais, mas não se pode ter tudo aquilo que se quer e por isso acabo por errar ao tentar satisfazer a minha utopia. Ter o melhor, a pouco custo. Mas é por isso que erro, por não ver que dentro da casca tosca está, por vezes, lá dentro uma noz, simples mas boa. Queria que o mundo fosse melhor, queria que o mundo me sorrise mais vezes, mas começo agora a ver que esses foram sorrisos falsos, testes à minha capacidade de me manter no caminho e não ir por atalhos, belos no início mas que acabam por revelar-se becos sem saída.

Miséria de vida esta, tão imperfeita, tão cruel, mas que por vezes nos sorri e esse sorriso vale por milhões.

But now I have come to believe that the whole world is an enigma, a harmless enigma that is made terrible by our own mad attempt to interpret it as though it had an underlying truth. Umberto Eco

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Pensamentos...

É bom ajudar uma pessoa. Sinto-me feliz por mim e por ela quando o faço, mas melhor ainda é quando conseguimos que ela siga em frente, sem medo de errar novamente, sem medo de tentar.

Estou farta de um mundo de egoísmo. Para singrarmos na vida agora temos que andar a lamber botas? O mundo está de pernas para o ar =

Só damos valor às coisas quando as perdemos, só nos arrependemos quando já é tarde para isso. Porque é que nunca vemos a razão quando ela está mesmo à nossa frente?

As melhores amizades são, por vezes, aquelas com mais barreiras: se as ultrapassamos ficamos mais fortes, mais unidos.

Porque é que temos que ter sempre medo da diferença quando a indeferença é 10 vezes mais temível?

Uma luta individual tem pouco sentido, mas quando mais pessoas lutam pela mesma causa, então serão mais fortes.

A perfeição é impossivel... mas porque é que há ainda pessoas que a querem à força?

...

domingo, fevereiro 10, 2008

Run or Revenge

If you feel so empty,
so useless,
in this god forsaken land,
why are you still here?
Why don't you go away?
Is it the absence of courage?
Is it the fear of being fucked up by others?
Is it the people you're gonna leave behind?
Well sometimes anger comes with strenght,
and strenght comes with courage.
The others fuck you up and disrespected you all life,
what will a little more of that do?
Nothing, it's all the same.
The people who love you must suport your decision,
otherwise they aren't your friends,
after all,
you sufered a lot all this years,
you were so desrespected by people who shouldn't exist.
And if you stay,
then revenge is the only way.
So fuck them up,
send them to the lake of fire,
'Cause that's the place where all the bad folks go.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Sabemos ou não??

É engraçado quando nos apercebemos o quão ignorantes somos. Por muito que saibamos, ou que pensamos que saibamos, há sempre qualquer coisa que nos escapa, sempre qualquer coisa que ignoramos por completo.
Quando somos crianças dão-nos noções tão suaves e simples para coisas que são na verdade mais complexas do que aquilo que nos dizem. Um exemplo claro é a noção de gravidez. Enchem-nos de tretas, é o que é. Uns contam a história da sementinha, outros a da cegonha e ainda outros que misturam as duas. O facto é que depois pensamos que sabemos, mas na verdade não sabemos nem metade da história.
Pois isso acontece quase todos os dias. Eu pensava que já não havia mais nada para saber acerca dos átomos quando acabei o 9º ano. Mas agora que dei os números quânticos vejo que por detrás de um porquê, existe outro, e outro e outro. E isto acontece em várias situações da minha vida, o que é extraordinário e ao mesmo tempo leva-nos a pensar se haverá mais alguma coisa a descobrir, ou se já foram encontrados todos os porquês...
É por estas e por outras que Sócrates dizia: só sei que nada sei!
Sweeney Todd...

Alright! You, sir?
How about a shave?
Come and visit
Your good friend Sweeney!
You sir! Too, sir
Welcome to the grave.
I will have vengenance.
I will have salvation...
Who, sir? You sir!
No one's in the chair come on, come on
Sweeney's waiting
I want you bleeders.
You sir? Anybody?
Gentlemen, now don't be shy
Not one man
No, nor ten men
Nor a hundred can assuage me.

O filme é absolutamente lindo. Eu não gosto muito de musicais, mas este é daqueles que eu era capaz de ver "over and over again".

terça-feira, janeiro 29, 2008

Inspirational moment

1.Little song==> Enquanto estava no chuveiro comecei a cantar isto, devido a um certo video do Sweeney Todd. Não liguem às quantidades da palavra "die". x)

Weeeeeeelllll,
we are all going to die,
sooner or later,
you and I.

Maybe I'll go first,
I feel a little pain in my chest,
oh my,
in lying I'm the best.

So who's gonna take the shot,
So who'll be the first to die?
Maybe you, my dear friend,
or maybe I.

Sooner or latter,
The old or the skatter,
The ill or the baker,
They all are iqual,
They all die,
Sooner or latter,
it's just a matter of time.

So "carpe diem" is my advise,
seize the day,
And it'll be nice,
to do something good
before death
comes
to
get youuuu.

2. Pensamentos...(misturas de inglês e português)

Face your inner demons...if you can. Only the brave ones can make truth and good prevail above the lies and injustices.

Qualquer seja a barreira, o obstáculo ou o perigo, enfrenta-o com calma, coragem e contando com os teus amigos.

I'm free, but am I free enough to end the friedom of others?

Evita que te apontem os teus erros, sê tu mesmo a reconhecê-los.

Don't ever misjudge people. Give them an oportunity to grow up.

...

É tudo. Nada mais tenho a dizer...It's only words...

domingo, janeiro 27, 2008




Os amantes...

Encostados um ao outro,

de rostos cobertos,

notando-se apenas alguns contornos

das faces esbranquiçadas dos dois,

são eles,

os amantes.

Se são belos,

se são felizes,

se são novos,

nunca saberemos,

apenas uma certeza temos,

são amantes,

eternos viajantes,

das aventuras do amor.

Quadro: "Os Amantes" de René Magritte

domingo, janeiro 20, 2008

Auto-retrato

Branca é a face,
levemente marcada pela adolescência.
Jazem aí dois olhos,
verdes como uma floresta,
salpicados de azul,
raiados pelo sol dourado,
cercados por uma lista negra.

É casada com os seus pensamentos,
Amante do movimento,
Apaixonada pelo oceano,
pela Terra,
pelo Fogo.

Só se irá calar,
quando ficar muda.
Só vai parar de ver,
quando ficar cega,
Só não vai descobrir mais,
quando morrer.

Será sempre uma criança,
Quanto ao aprender,
quanto ao encontrar,
quanto ao brincar.

Cresce todos os dias,
não só por fora,
mas por dentro.
Leal e simpática,
ajuda quem pode,
quem precisa,
como pode,
como sabe.

Muito mais há a dizer,
mas porque não tentar conhecer,
esta rapariga que aqui se tentou descrever.

sábado, janeiro 05, 2008

O menino que queria crescer

Quando ainda era bebé, já queria ser como os grandes: andar, falar, comer sozinho, tomar banho sozinho. Começou a falar ao primeiro mês, no segundo a andar e no terceiro mês comia e tomava banho sem ajuda. Os seus pais nada podiam fazer, o menino queria crescer. Quando tinha um ano já sabia as vogais, mais tarde o abecedário, e quando entrou para o infantário já sabia ler. Não brincava com os colegas, não se sujava, não chuchava no dedo, em suma, não era como as outras crianças. Sentava-se num canto distante e lia livros, fazia contas e, quando soube escrever, começou a fazer composições. Foi para a escola primária,mas rapidamente a conclui pois sabia mais que um miúdo de 4ºano. Nunca brincava com ninguém, nunca jogou futebol, nunca partiu vidros, sempre se comportou bem, não dizia asneiras, em suma, não era como os outros. A vida foi passando por ele, os prazeres, as alegria, injustiças, lições, tudo o que valia a pena no mundo passou por ele, como a suave brisa primaveril acaricia as árvores. Até que um dia, olhou para a rua e lá estavam várias pessoas. Uma criança brincava na relva com o seu cão, 2 adolescentes, sentados num banco, trocavam gestos de amor, um casal passeava com os seus 2 filhos e também dois idosos jogavam damas. E o menino, que agora era já um homem, olhou para as suas caras e reparou que embora alguns estivessem a discutir, eles pareciam felizes, pareciam estar a disfrutar do que é bom na vida. Nesse momento, quis ser como a criança, brincar na relva, sujar-se, chorar, rir. Quis ser aqueles adolescentes, voltar a ir para a escola, estar com os amigos, ouvir musica, ter namoradas, beijar, namorar. Quis ser como aquele casal, ter mulher, filhos, uma familía. Quis ser como aqueles idosos, apreciar os ultimos anos de vida, descansar, brincar com os netos, jogar damas com os amigos, rever a vida, todos as alegrias, tristezas, encontros e desencontros que esta lhe tinha proporcionado. Mas não podia voltar a trás. A vida tinha passado por ele, ele tinha optado por crescer, mas cresceu depressa demais e agora já não podia fazer nada. Apenas esperar que a ressurreição existisse.

Citando a letra da música "Warning" dos Incubus: Don't ever let life pass you by...

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Uma pequena gota que fez a diferença

Caiu suavemente e
Deslizou,
Para baixo,
Foi ao encontro da boca
Uma gota, uma lágrima,
Pequena de tamanho
Embora grande em sentimento.
Num segundo,
Num momento,
Desliza ainda mais,
Mais abaixo,
Tocando no queixo,
Caindo no vazio…
Mas não,
Ela não caiu em esquecimento,
Caiu no chão e muito ligeiramente,
Salpicou os corações de outros,
Despertando-os para a situação,
Uma lágrima imensa,
Uma pequena gota que fez a diferença.

Acho que é um poema apropriado para um dia de chuva... ^^

sábado, dezembro 29, 2007

I hate that I hate myself,
I hate this stupid world,
Full of lies, injustice and death.
I hate not having an answer for my problems,
Hate that I lie to myself,
Hate those people who lie to the others.
I hate that I don't like you,
Hate not controling my feelings,
I simply hate not liking you.
Such a stupid word "Hate" is,
I hate hating,
I hate hate!
Why can't the world be like the movies,
Friends helping in each and everyway they can,
complicated love stories ending up well,
understandfull parents that give all their support.
But the world is so rough,
that these sorts of things can only be real in the movies,
and I hate that.
I hate a lot of things,
but I don't hate being alive,
because if I wasn't,
who would hate for me?

domingo, dezembro 23, 2007

Como toda a gente sabe, amanhã é a vespera de Natal. Eu devia estar contente, entusiasmada e alegre como nos Natais passados, mas não estou. Sim, gosto muito de comer o famoso bacalhau com couves e batatas, sim, adoro receber as prendas, estar ao quentinho mas o meu puzzle natalício não está completo. Passo a explicar, o Natal para mim, não é receber presentes, nem nada que se pareça, o Natal para mim é a união e alegria de uma família, é poder abrir os presentes e ver estampado um sorriso naqueles que mais amamos que, ao verem a nossa felicidade, a tornam na sua. É poder dar, não prendas, mas amor, carinho e alegria. A melhor prenda de Natal que eu sempre recebi foi puder passar o Natal com aqueles que mais adoro, isto é, o meu pai, a minha mãe, o meu irmão, o meu tio, a minha avó e o meu avô. Este é o meu puzzle natalício completo. Este ano, não vai ser assim. Este ano falta uma peça central do meu puzzle, falta o meu avô. Ele morreu em Março de 2007 e desde então sinto um vazio muito grande no meu coração. Nunca fui muito religiosa mas, por alturas do Natal de 2006, pedi a Deus que deixasse que o meu avô passasse o Natal connosco, e ele passou. Ainda me lembro de uma coisa que fiz, e ela foi, em vez de comer com os meus pais na sala de jantar, levantei-me e fui comer para a sala de estar, para fazer companhia ao meu avô. Acho que essa foi a melhor prenda que alguma vez lhe consegui dar.
Hoje vejo-me a relembrar a noite de Natal em que me pareceu ver o Pai Natal pela janela da entrada, e o meu avô não me deixou entrar porque dizia que se eu visse o Pai Natal ele ficava muito triste, a noite em que recebi o meu gameboy color e na qual o meu avô me pediu para jogar nele. Boas memórias, sem dúvida. Memórias desse puzzle natalício completo. Agora, acho que vou ter que renovar o meu puzzle, por muito que me custe, mas as memórias dos Natais passados, essas ficaram para sempre no meu coração.
Desejo-vos a todos um feliz Natal, cheio de prendas, alegria e essas coisas todas...

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Inspirações nocturnas

Adormeço profundamente perdida no meu pensamento e, quando desperto para o sonho vejo-me presa numa divisão, sem portas nem janelas, apenas uma fresta, no canto mais distante e elevado do tecto. Não é uma casa, nem uma mansão, nem mesmo uma cela, é apenas uma prisão, não o edifício, apenas a noção. Tento falar mas algo me cala. Tento pensar, mas algo me impede de o fazer. Tento sonhar, mas algo me limita os horizontes. Estranha situação, embora similar a algo. Ando à volta da sala até chegar ao canto mais distante da divisão,aproximei-me da fresta de luz e nesse momento pude falar, embora pouco, mas o que disse foi "Liberdade". Depois pude também pensar e aquilo que pensei foi "um Mundo". Finalmente pude sonhar e sonhei com a "Igualdade". De repente, vinda do nada, aparece uma escada bamboleante. A subida é perigosa, mas o perigo não me assusta. Assusta-me é a possibilidade de ter que voltar para baixo depois de todo aquela subida dificil. À medida que subo vou podendo pensar em cada vez mais coisas, vou podendo falar mais e mais coisas e a cada degrau que subo, o sonho que tive vai se realizando. Depois de subir um pouco mais de metade dos degraus da escada, paro e olho para baixo. Foi uma longa subida até ali mas valeu a pena e embora faltem alguns degraus, já estive mais longe da saída. Acordo para o real e vejo que o meu sonho foi simplesmente a subida da Igualdade e da Liberdade no nosso Mundo e assim percebo que temos sempre que lutar por elas já que se não o fizermos mais tarde ou mais cedo ficaremos presos numa divisão, sem nenhuma escada pela qual subir.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Inspirções nocturnas...

Viajante

De passagem,
Andando pelas veredas,
Lá vai ele,
O viajante.
Solas de papel,
Vestimenta andrajante,
Lá vai ele,
Pobre cavaleiro andande,
A quem falta o cavalo,
mas não a demanda,
é por isso que caminha,
é por isso que anda,
por caminhos ocultos,
por bosques obscuros,
seguindo o seu destino,
guiado por uma luz bruxuleante,
pela lua, pelas estrelas.
Lá vai ele,
O viajante,
Um pobre e triste sonhador,
Escondido por baixo de uma capa de desprezo,
por críticas e insultos,
por uma aparência descuidada.
Lá vai ele,
O viajante,
seguindo o seu caminho,
rumo a um lugar distante.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Bom, hoje andei a vasculhar nuns cadernos que cá tinha e encontrei um poema inacabado, que por acaso descreve como eu me senti numa altura da minha vida, mas ao qual vou fazer alterações. A parte a laranja é aquela que já estava feita, o resto foi o que eu acabei agora.

Às vezes penso que não vale a pena
tenho vontade de desistir
Só penso em parar
Só penso em fugir.

O mundo colapsa à minha volta
e eu nada posso fazer,
apenas observar,
Ver como a vida desaparece num piscar de olhos.

Mas tenho que conseguir,
Vou fazer a diferença,
Por muito que custe,
Por muito que sofra,
Eu vou resistir.

Eu sei que vou abdicar de muito,
Eu sei que muito vai mudar,
Sei muito bem que vários amigos vou deixar para trás,
Mas aqueles a quem chamo verdadeiros ficarão,
E eu nunca,mas nunca os esquecerei.

Vou ser forte,
Vou lutar,
Por um futuro,
o Meu futuro,
que agora se começa a jogar.

Tenho os trunfos na mão,
Basta agora saber usá-los.

Eu acho que é feio deixar um poema incompleto e desactualizado, por isso achei melhor alterá-lo um pouco mais.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Férias! =D
Bom hoje parto para um acampamento de 3 dias por isso para vossa felicidade vou ficar sem postar.

Adeus pessoal!

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Ora mais um post para a colecção.

Obstáculos,
todos os temos,
mas são poucos os que os enfrentam,
poucos aqueles que os ultrapassam.
Barreiras e limites,
Impedem a nossa felicidade,
a nossa alegria,
a nossa amizade,
Destroiem uns laços,
Enfraquecem outros,
mas mais que tudo,
destroçam corações.
Mas porquê?
Porque é que temos que sofrer,
Porque é que temos que os enfrentar?
Os obstáculos fazem-nos crescer,
Fazem-nos revelar a coragem,
a preserverança, a responsabilidade,
Que temos dentro de nós,
e embora escondidas,
elas estão lá,
prontas a sair, prontas para agir
sempre que temos que ultrapassar,
aquele obstáculo,
aquele muro que nos separa tenuamente da nossa felicidade,
aquela barreira que nunca conseguimos saltar,
mas há que sempre reflectir,
há que pensar,
Pensar que no outro lado está uma vida melhor,
Com outros obstáculos, é certo
Mas uma vida na qual já sabemos ultrapassar
aquele limite que conseguimos transpôr,
pois o segredo é não desistir,
o segredo é agir,
o segredo é não fugir,
Enfrentar,
Defrontar,
Confrontar,
e nestas coisas uma certeza tenho
e ela é que com os meus amigos posso sempre contar.
Por muitos obstáculos que existam,
não desistam,
insistam,
pois a teimosia pode ser considerada como um defeito,
mas é uma qualidade preciosa,
neste mesmo efeito.

Eu não quero desistir, e tu?

sábado, dezembro 08, 2007

Infelizmente sinto que não consigo falar do meu avô sem chorar, e como não quero fazer figura de triste e que tenham pena de mim, vou antes fazer sobre a minha maninha pequena. E aqui está ele.

Uma irmã do Coração

Quando falamos de irmãos e irmãs, pensamos unicamente naqueles que estão unidos por um laço de sangue, isto é, filhos dos mesmos pais. Mas quem pensa que apenas existem irmãos de sangue, então está enganado. Eu digo isto porque tenho uma irmã, uma irmã do coração, a minha maninha Rita e no dia em que a conheci formei este laço de amizade e carinho, que quero que dure por muitos e muitos anos.
Tinha onze anos de idade quando a conheci pela primeira vez. Há muito tempo que uma grande amiga da minha mãe estava à espera para adoptar uma criança e eu, como é natural, estava curiosa para a conhecer. Até que, numa tarde de Primavera, fomos à casa da amiga da minha mãe e lá estava ela. Embora já a tivesse visto numa foto, foi uma surpresa para mim porque ela era ainda mais fofa e pequenina ao vivo. Ela tinha apenas 2 anos, cabelo castanho-claro e uns olhos castanhos grandes e expressivos. O meu primeiro pensamento foi:”Como é possível que os pais biológicos não tenham gostado desta pequena criança tão linda?”. Lembro-me do que estava a fazer quando a vi pela primeira vez. Estava sentada num triciclo e a andar à volta da cozinha. Aproximei-me dela e apresentei-me. Ela disse-me olá e depois continuou a andar de triciclo. Depois perguntei-lhe se não queria ir comigo até ao quintal e ela disse que sim por isso lá fomos nós. Ela era um pouco tímida, mas à medida a que fomos brincando, a que nos fomos conhecendo melhor, ela começou a interagir mais comigo e assim fomos ficando amigas, ao longo daquela tarde diferente. Fizemos de tudo um pouco: Molhámos os pés na água da piscina, vimos os cães da amiga da minha mãe, jogámos à bola, ensinei-lhe a fazer o sinal de fixe e entre outras coisas. Ela era tal e qual como eu na idade dela: brincalhona, marota, faladora, corajosa e irrequieta. Essa tarde fez-me recordar a minha infância e fez-me recordar o meu sonho de ter uma irmã mais velha. Ela lá achou graça ao meu nome e em vez de Inês chamava-me Chinês e em vez de “difícil” dizia “difácil”, andava sempre a correr de um lado para o outro, a descobrir novas coisas, conhecer o mundo, coisas que também eu fazia quando era pequena.
Brincamos até ela ter que se ir embora para a casa da família de acolhimento, pois nesse dia ainda ficava com eles. E quando me fui para despedir ela não me largava e acabei por ir levá-la até casa, juntamente com os seus pais adoptivos. A viagem foi uma diversão e ela estava sempre a chamar-me Chinês e a tirar os sapatos, feita tontinha. Quando chegámos à casa da família de acolhimento, ela apresentou-me ao Francisco e à sua irmã, que eram filhos das pessoas que a acolheram, a quem, na brincadeira, ela chamava de Quiquinho, o Macaquinho.
Quando me fui para despedir dela, abraçamo-nos e ela disse-me aquelas palavras que me ficaram marcadas no coração: Adeus mana. Nesse momento senti-me a pessoa mais sortuda do mundo, por ter conseguido dar amor e carinho a uma criança que dele necessitava, por ter ganho uma nova irmã e por ter conseguido compensar, de certa forma, o meu sonho de infância, que era ter uma irmã mais velha, pois tornei-me numa irmã mais velha de coração. Ainda hoje sou a irmã dela e ela é a minha maninha pequena, e quando olho para ela vejo-me a mim, aquela criança viva e cheia de alegria, aquela criança marota e irrequieta que fui e sempre serei.

domingo, dezembro 02, 2007

Este texto irá provavelmente ser aquele que vou apresentar a português. Acho que está bom por isso resolvi postá-lo, pois penso que passa uma mensagem importante.

Acordar para a morte

Há quem diga que acordamos para a vida, mas naquele dia eu acordei para a morte. Não me lembro da data, apenas do mês e do ano. Março de 2007. Recordo com tristeza todo esse dia, todos os momentos que vivi, todas as coisas que fiz e tudo aquilo que senti. Toda a gente sabe o que é perder um ente querido, mesmo que nunca lhe tenha acontecido isso. Eu era uma dessas pessoas até esse dia. Nada nem ninguém me poderá fazer esquecer aquela manhã mórbida e fora do normal. A manhã em que acordei para a morte.
Acordei sobressaltada. Eram 8 da manhã. Não era normal acordar a essa hora. “Devo ter tido um pesadelo.” – disse para mim mesma. Mal sabia eu que o “pesadelo” estava a uns minutos de distância. Dirigi-me para as escadas e ouvi alguém a chorar. Era a minha mãe. Perguntei-lhe o que se passava, porque estava assim. Ela disse-me que o meu avô tinha tido outra daquelas noites horríveis e que tinha ido de urgência para o hospital. O certo é que aquela doença que o debilitava cada vez mais, tinha outra vez levado a melhor sobre ele, já que aquele tipo de noites já se tinham repetido inúmeras vezes mas o meu avô acabava sempre por vencer a doença e voltar para casa, e por isso mesmo interroguei-me: “ Se ele foi para o hospital outra vez, porque é que estará ela a chorar? Seria normal estar preocupada e não assim.” Momentos depois veio o meu pai e disse-me para voltar para a cama, e também ele estava estranho, um tanto amargurado.
Voltei para o meu quarto e deitei-me junto ao meu irmão que, como sempre, tinha tido pesadelos e tinha ido para a minha cama. Fiquei um pouco a pensar no assunto mas depois adormeci outra vez. Momentos depois fui acordada. Era o meu pai. A sua cara estava lavada de lágrimas e então disse-me aquela frase que para sempre ficará na minha memória: “ Inês, o avô morreu.” Nesse momento o tempo parou. O meu avô estava morto. Tive uma espécie de flashback. Comecei a ver na minha mente os momentos que tinha passado com ele. Aquela vez em que eu tinha fome e ele tirou do seu bolso das surpresas um amendoim para me dar. Aquele dia em que me pousou no seu colo e me deixou guiar a carrinha. Aquele dia em que me deu, pela primeira vez, uma palmada no rabo por estar a implicar com o meu irmão. Aquela noite em que me contou que quando era novo apanhava todos os contrabandistas e ladrões de azeite das redondezas. Vi tudo isto e mais alguma coisa passar diante de mim, rapidamente e sem som, como um filme mudo. Tinha tanto para lhe dizer ainda, tanto para lhe mostrar, para lhe perguntar. Nunca cheguei a saber tudo o que queria e ele nunca chegou a ver tudo o que eu queria que ele visse. Eu sei que ele partiu para um sítio melhor, mas ele não merecia. Tinha ainda tempo de viver, tempo de ver mais coisas. Mas a doença tinha vencido daquela vez. Após isso o tempo voltou ao normal e a minha primeira reacção foi: “Ele sofreu?”. Depois disso chorei. Chorei por não me ter despedido dele, chorei por ter perdido o meu “amigalhaço”, chorei por ter perdido o meu avô.
Foi uma manhã que ficou para sempre marcada na minha memória como sendo a manha em que acordei para a morte: A morte do meu avô.

Já sabem, não guardem para vocês o que têm a dizer a uma pessoa pois nunca se sabe o que o destino lhe reserva a ela ou até mesmo a nós.

Enjoy...